"The Alpha's Demise" Chapter 2
Chapter 2: The Golden Cage
A luz fria do amanhecer mal conseguia atravessar as densas copas das árvores da Floresta da Tijuca, filtrando-se pelas persianas blindadas da mansão no Alto da Boa Vista.
O motor do SUV blindado desligou-se no pátio interno, selando a chegada de Rafe com seu novo e perigoso prisioneiro.
Kaelen recobrou a consciência gradualmente, sentindo o toque do lençol de seda preta contra a pele desnudada de seu peito ferido.
A dor de cabeça lancinante e o peso do colar de titânio em sua nuca o lembraram instantaneamente da humilhação sofrida no porto de Cais do Cais.
Ele tentou se mover, mas seus pulsos ainda mantiam as marcas roxas das amarras metálicas, e a febre da mutação continuava a queimar suas entranhas.
Ao lado da cama, um prato de porcelana com comida quente e um copo de água repousavam intactos sobre a mesa de cabeceira.
Kaelen desviou o olhar com desprezo, recusando-se a tocar em qualquer sustento oferecido pelo homem que o transformara em um troféu.
Durante todo o dia, o ex-comandante permaneceu imóvel na penumbra do quarto, mapeando silenciosamente as rotas de fuga, a posição das câmeras e o intervalo das patrulhas armadas no corredor.
Quando a noite caiu sobre as montanhas do Rio de Janeiro, o silêncio da mansão foi quebrado apenas pelos passos firmes e pausados de Rafe.
A porta do quarto principal abriu-se devagar, revelando a silhueta do Don do Rio vestindo apenas uma camisa de seda preta parcialmente desabotoada e calças sob medida.
"Três refeições intocadas, general," disse Rafe, encostando-se no batente da porta com uma taça de cristal preenchida com uísque escuro.
"Eu não me alimento da comida do meu inimigo," respondeu Kaelen, com a voz rouca, sem sequer se dar ao trabalho de erguer o corpo da cama.
"Sua teimosia seria admirável se não fosse suicida," comentou Rafe, caminhando em direção ao escritório anexo, cuja porta dupla de madeira nobre permanecia aberta.
O brilho suave de uma luminária de bronze iluminava as prateleiras cobertas de livros raros e as paredes revestidas de couro escuro do escritório.
Aproveitando a aparente distração de seu captor, Kaelen colocou os pés no chão gelado e levantou-se, ignorando a tontura violenta que turvava sua visão.
Ele moveu-se com a precisão silenciosa de um predador treinado, seguindo a sombra de Rafe até o interior do escritório.
Rafe estava de costas para a entrada, parado diante de um pesado cofre de aço embutido na parede de mármore.
Kaelen observou com atenção enquanto o mafioso digitava a sequência numérica e girava o disco metálico com dedos habilidosos.
O estalo do mecanismo revelou o interior do cofre, onde descansavam frascos de vidro azul contendo os inibidores de febre e uma pasta de couro preta etiquetada como Projeto Omega.
"Procurando por isso?" perguntou Rafe, sem se virar, como se adivinhasse a presença do prisioneiro logo atrás de si.
Rafe fechou a porta do cofre com um solavanco, trancando o segredo novamente antes de se virar para encarar o ex-comandante.
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O olhar cor de琥珀 (âmbar-dourado) do chefe da máfia fixou-se em Kaelen, varrendo o corpo magro, porém musculoso, coberto apenas pela calça tática.
Com um movimento calmo e calculado, Rafe tirou uma pistola Glock preta do cofre e a colocou sobre a mesa de centro de理 (mármore) entre eles.
"Uma oportunidade única, Kaelen," disse Rafe, empurrando a arma em direção ao prisioneiro com a ponta dos dedos. "Você tem o seu objetivo bem na sua frente."
"O que você está fazendo, Cruz?" questionou Kaelen, semicerrando os olhos ice-blue com profunda desconfiança.
"Estou lhe dando a chance de acertar as contas," respondeu Rafe, abrindo um sorriso frio e provocante. "Pegue a arma e tire a minha vida."
A mente tática de Kaelen calculou a distância e o tempo de reação de Rafe em uma fração de segundo.
Sem hesitar, o ex-comandante avançou e agarrou a pistola sobre a mesa, engrenando o ferrolho com a velocidade e o automatismo de um assassino nato.
Ele apontou o cano de aço diretamente para a testa de Rafe, mantendo o dedo firme sobre o gatilho sem tremer um único milímetro.
"Você é mais tolo do que eu pensava," rosnou Kaelen, o olhar queimando com um ódio puro e concentrado.
"Atire," desafiou Rafe, dando um passo à frente até que a boca da arma ficasse pressionada contra a sua própria pele.
Kaelen puxou o gatilho sem hesitação.
O som seco do cão batendo contra a câmara vazia ecoou pelo escritório silencioso, confirmando que a arma estava completamente descarregada.
Rafe soltou uma risada baixa e aveludada, debochando da tentativa de assassinato do rival. "Você realmente achou que eu seria tão descuidado?"
A raiva comprimida no peito de Kaelen explodiu com a violência de uma tempestade contida por tempo demais.
Usando a pesada coronha de aço da arma descarregada, Kaelen desferiu um golpe brutal para baixo, esmagando o tampo da mesa de mármore.
A pedra nobre rachou-se ao meio com um estalo ensurdecedor, espalhando estilhaços afiados pelo tapete persa do escritório.
Antes que Rafe pudesse recuar, Kaelen deu um salto por cima dos escombros e avançou contra o peito do mafioso.
O impacto derrubou os dois homens no chão, e Kaelen posicionou-se rapidamente sobre o quadril de Rafe, cravando as duas mãos no pescoço do rival.
"Eu não preciso de munição para acabar com você!" vociferou Kaelen, apertando a traqueia de Rafe com toda a força restante em seus braços.
O rosto de Rafe começou a perder a cor sob a pressão esmagadora, mas seus olhos dourados brilhavam com uma satisfação doentia ao ver a ferocidade de seu prisioneiro.
"É assim que eu gosto de você, general..." arfou Rafe, com a voz sufocada, sem tentar se defender do esganamento.
Contudo, antes que a consciência de Rafe se apagasse, os sensores biomecânicos do colar de titânio na nuca de Kaelen detectaram o pico de agressividade e a intenção letal.
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O dispositivo emitiu um apito agudo e avermelhado, descarregando uma descarga elétrica de alta voltagem diretamente no sistema nervoso do ex-Alpha.
Um choque doloroso percorreu a espinha de Kaelen, fazendo seus músculos contraírem-se involuntariamente e sua visão ficar completamente escura.
Os braços de Kaelen perderam a força, e seu corpo colapsou para a frente, desabando impotente sobre o peito acolhedor de Rafe.
A respiração de Rafe voltou em um gole ruidoso de ar enquanto ele tossia devagar, massageando o próprio pescoço marcado pelos dedos de Kaelen.
O colar desligou o modo de choque, deixando o ex-comandante trêmulo, humilhado e incapaz de mover um único músculo sobre o corpo de seu algoz.
"Você é incrivelmente selvagem," murmurou Rafe, envolvendo a cintura de Kaelen com seus braços fortes e erguendo o corpo vulnerável do rival sem esforço.
Rafe caminhou para fora do escritório, levando o prisioneiro derrotado de volta para o quarto escuro e deitando-o delicadamente sobre os lençóis de seda.
Kaelen mantinha os lábios cerrados, mordendo a parte interna da bochecha enquanto lágrimas de pura frustração e raiva contida banhavam seus olhos azuis.
Rafe ajoelhou-se ao lado do leito, pegando a mão fria e trêmula de Kaelen e pressionando os dedos do ex-comandante contra a própria garganta, exatamente onde a pulsação de sua artéria carótida batia forte e ritmada.
"Sentiu isso?" sussurrou Rafe, mantendo o olhar fixo no rosto empalidecido do prisioneiro. "A minha vida ainda está nas suas mãos, Kaelen."
Kaelen tentou puxar a mão de volta, mas não tinha forças nem para fechar os dentes em um xingamento.
"Se você quer ver este coração parar de bater," continuou Rafe, deslizando a mão até a nuca de Kaelen e acariciando a pele queimada pelo choque, "primeiro você vai ter que aprender a se alimentar, ficar de pé e sobreviver a este quarto."
Rafe puxou o cobertor sobre o corpo do rival e levantou-se, caminhando até a porta do quarto antes de fazer uma pausa final.
"Amanhã eu quero ver aquele prato vazio, general," declarou Rafe, fechando a porta com um estalo suave e trancando o prisioneiro em sua gaiola de ouro.
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