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"The Alpha's Demise" Chapter 4

Chapter 4: Shadows of the Past

Três dias após o colapso no banheiro da mansão, o sol do meio-dia mal conseguia penetrar a espessa camada de nuvens carregadas que pairava sobre a serra do Rio de Janeiro.

O comboio blindado do Sindicato Cruz cortava a rodovia tortuosa cercada pela mata Atlântica, levando Rafe para uma reunião de emergência no centro da cidade.

No banco traseiro do caminhão tático blindado, Kaelen permanecia em silêncio, vestindo um casaco de gola alta escura que escondia o colar de titânio em sua nuca.

Embora os feromônios de Rafe tivessem estabilizado temporariamente o esgotamento de suas células, o corpo de Kaelen ainda carregava as marcas profundas da mutação forçada.

"Mantenha a cabeça baixa e não tente nenhuma estupidez," avisou Mateo do banco do passageiro dianteiro, checando o carregador de sua submetralhadora.

"Seu chefe me manteve vivo para ser um troféu, Mateo, não um cadáver covarde," respondeu Kaelen, o olhar ice-blue encarando a chuva densa que começava a lavar os vidros blindados.

Antes que Mateo pudesse rebater a provocação, um estalo ensurdecedor cortou o ruído da tempestade.

Um projétil de calibre .50 perfurou o pneu dianteiro do SUV do Don, fazendo o veículo de liderança capotar violentamente na pista molhada.

"Emboscada! Protejam o Don!" gritou Mateo pelo rádio tático enquanto o caminhão freava bruscamente, espalhando poeira e fumaça pela rodovia.

Dúzias de homens armados usando trajes táticos pretos sem insígnia emergiram da vegetação fechada, abrindo fogo cruzado contra os guardas de Rafe.

Rafe saiu dos escombros do SUV atingido com uma pistola de alto calibre em cada mão, abatendo dois atacantes instantaneamente com tiros precisos na cabeça.

Entretanto, do topo de uma crista rochosa a duzentos metros de distância, três tiros de precisão suprimidos começaram a ceifar a vida dos homens de segurança de Rafe.

No interior do veículo blindado, Kaelen identificou o padrão de tiro dos atiradores de elite em menos de três segundos.

"Eles estão no ponto cego dele," murmurou Kaelen, reconhecendo o ângulo tático perfeitamente desenhado para encurralar Rafe.

Enquanto os guardas do caminhão se desdobravam para responder ao fogo direto, Kaelen agiu com a velocidade anestésica de um fantasma de guerra.

Com um movimento limpo, ele torceu o pulso do guarda mais próximo, desarmando-o e tomando sua fuzil de precisão modificado com mira térmica.

"Ei! O que você está fazendo?!" gritou o guarda atingido, caindo no chão da van.

"Ficando vivo," respondeu Kaelen, chutando a porta traseira do veículo e disparando para fora na tempestade.

Mesmo com as pernas trêmulas por causa da fraqueza biológica, Kaelen escalou a encosta enlameada com uma agilidade assustadora.

Ele posicionou-se atrás de um tronco largo na crista oposta, ajustando o bipé da arma e colando o olho na mira telescópica.

Através da lente, Kaelen avistou o primeiro atirador inimigo alinhando a mira na nuca de Rafe, que cobria a retirada de Mateo.

Kaelen prendeu a respiração, o dedo pressionando o gatilho suavemente.

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O tiro ecoou pela montanha, e a cabeça do atirador inimigo explodiu em uma névoa escarlate antes que ele pudesse puxar o gatilho.

Rafe piscou ao ver o corpo do mercenário desabar da rocha bem ao seu lado, percebendo imediatamente a trajetória do disparo vindo da crista.

Ele ergueu os olhos dourados para a tempestade, avistando a silhueta magra e imponente de Kaelen destacada contra o céu escuro.

Sem hesitar um segundo, Kaelen ajustou a mira e disparou mais duas vezes com uma cadência cirúrgica.

Os outros dois atiradores na crista caíram mortos antes que tivessem tempo de identificar de onde vinha a contramedida militar.

Rafe aproveitou a brecha no fogo inimigo para avançar pelo flanco desprotegido, executando os sobreviventes no solo em uma sincronia aterrorizante com os tiros de Kaelen.

Durante noventa segundos, o chefe da máfia do Rio e o ex-comandante eslavo agiram como se tivessem treinado juntos a vida inteira.

A contagem de mortos subiu rapidamente até que o silêncio retornou à estrada, quebrado apenas pelo chiado dos motores destruídos e o som das gotas caindo sobre o metal quente.

No topo do morro, Kaelen soltou a trava da arma e tentou se erguer, mas a dor no peito voltou com uma violência avassaladora.

O esforço físico e a queima de adrenalina sobrecarregaram seu sistema circulatório enfraquecido pela mutação.

Kaelen tossiu severamente, caindo de joelhos na lama enquanto uma quantidade alarmante de sangue escuro jorrava de sua boca, sujando o casaco escuro.

"Que inferno..." sussurrou Kaelen, limpando o queixo com a mão trêmula enquanto sua visão começava a escurecer pelas margens.

Passos pesados esmagaram a vegetação molhada, aproximando-se do tronco onde o ex-comandante estava caído.

Rafe subiu a encosta sem se importar com a lama que estragava seus sapatos caros, o olhar fixo na figura enfraquecida do rival.

Mateo e outros dois guardas sobreviventes alcançaram a cena em seguida, inspecionando os corpos dos mercenários mortos por Kaelen.

"Don Cruz! Olhe o pulso deste atirador," chamou Mateo, cortando a manga do uniforme do cadáver com uma faca tática.

Na pele do mercenário morto, uma tatuagem escura retratando uma águia bicéfala sobre uma espada cruzada brilhava sob a chuva.

"A guarda privada de Dmitry Voronov," disse Mateo, a voz carregada de raiva. "Seu tio enviou caçadores da Europa para garantir que você não saia do Rio, Kaelen."

"Ele sabe que se eu ficar de pé... a cabeça dele é a primeira que vai rolar," arfou Kaelen, tentando conter o sangramento no peito com a mão.

Rafe ergueu a mão para silenciar os homens, aproximando-se lentamente até parar diante do ex-comandante ajoelhado.

A aura do Alpha dominante envolveu o ambiente, mas desta vez não havia intenção de esmagar, apenas um reconhecimento sombrio e respeitoso.

Rafe ignorou o sangue e a sujeira, dobrando o joelho esquerdo para ficar exatamente na mesma altura de Kaelen na lama.

"Você devia ter ficado no carro blindado, general," disse Rafe, a voz suave ressoando através do vento frio da montanha.

"E deixar um bando de amadores tirar a única vida que eu mesmo pretendo tirar?" respondeu Kaelen, encarando o rival com os olhos ice-blue brilhando em desafio através do sangue.

Rafe abriu um sorriso lento e perigoso, o olhar cor de âmbar-dourado fixado no rosto empalidecido do prisioneiro.

Lentamente, Rafe tirou o lenço de seda branca do bolso do paletó e estendeu a mão, segurando o queixo de Kaelen com firmeza.

Com cuidado inesperado, Rafe usou o lenço para limpar o sangue quente que escorria pelos lábios e pelo queixo do ex-comandante.

"Três tiros de precisão sob chuva forte com o corpo em colapso," murmurou Rafe, deslizando o polegar coberto pelo tecido limpo pela pele fria de Kaelen.

Kaelen tentou desviar o rosto do toque, mas a fraqueza física impediu qualquer movimento brusco de resistência.

"Você continua sendo a criatura mais fatal que já pisou no meu território," continuou Rafe, os olhos brilhando com uma obsessão renascida.

"Eu não sou a sua arma, Cruz," rosnou Kaelen, com a respiração falhando.

"Não, você não é," concordou Rafe, aproximando o rosto a ponto de Kaelen conseguir sentir o calor de sua respiração misturada com o cheiro de pólvora.

"Você é o meu parceiro de caça," declarou Rafe, passando o braço forte pelas costas de Kaelen e erguendo o corpo vulnerável do ex-comandante nos braços.

"Foi um tiro muito bonito, general," sussurrou Rafe contra o ouvido de Kaelen antes de carregar o rival de volta para o comboio em direção à cidade.

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