"The Alpha's Demise" Chapter 5
Chapter 5: The Poisoned Betrayal
Após o tiroteio na rodovia, o comboio retornou à mansão no Alto da Boa Vista sob uma escolta pesada de homens armados.
Kaelen foi levado diretamente para a ala médica do subsolo, onde a Dra. Helena Rossi trabalhou por horas para estancar a hemorragia pulmonar e analisar as amostras de sangue colhidas.
O aroma de antisséptico e frio metálico impregnava o laboratório iluminado por luzes fluorescentes brancas.
Deitado sobre a maca de aço inoxidável, Kaelen observava o teto com os olhos ice-blue congelados em uma expressão de apatia absoluta.
A porta de vidro deslizou, e a Dra. Helena entrou carregando uma pasta de couro preta com o selo do laboratório genético.
"Os resultados da análise de toxinas saíram, Kaelen," disse Helena, ajustando os óculos com uma visível hesitação na voz.
"Apenas me diga em quanto tempo esse veneno vai terminar de destruir meus órgãos, doutora," respondeu Kaelen, a voz seca e sem emoção.
"O veneno não é uma criação recente do seu tio Dmitry," revelou Helena, abrindo o relatório e colocando as lâminas de dados no projetor digital.
O arquivo na tela exibiu os carimbos de financiamento e patente química datados de cinco anos atrás, na cidade do Rio de Janeiro.
"Este agente patogênico foi idealizado e financiado originalmente pela Divisão de Pesquisas do Sindicato Cruz," explicou a médica, apontando para o topo do documento.
Kaelen piscou devagar, sentindo um frio súbito espalhar-se por sua espinha enquanto seus olhos varriam as assinaturas do documento.
No rodapé da página principal, o carimbo oficial trazia o nome do antigo patriarca do sindicato: Hector Cruz.
"Hector Cruz... o pai de Rafe," murmurou Kaelen, a voz tremendo levemente pela primeira vez enquanto a revelação se assentava em sua mente.
"Sim, o antigo Don autorizou o desenvolvimento do Projeto Omega para criar uma ferramenta de neutralização de Alpha," confirmou Helena, sem notar a mudança drástica na postura do paciente.
Para Kaelen, cada peça daquele quebra-cabeça macabro encaixou-se com uma precisão devastadora e cruel.
A emboscada na Europa, sua captura conveniente no porto do Rio, o colar de titânio, as doses de feromônios para 'estabilizá-lo'—tudo parecia agora uma farsa perfeitamente orquestrada.
Ele não era apenas um prisioneiro de guerra; ele era o experimento final de um plano de submissão criado pela família Cruz desde o início.
Aquela frágil ponte de respeito e trégua construída durante a batalha na montanha ruiu instantaneamente, transformando-se em cinzas e veneno.
Um brilho de pura dor sufocada e绝望 (desespero) passou pelos olhos de Kaelen antes de ser substituído por um ódio cego e assassino.
Kaelen sentou-se na maca, desligou os monitores cardíacos que apitavam e caminhou para fora do laboratório antes que Helena pudesse impedi-lo.
Ele subiu as escadas em direção ao quarto principal no andar superior, movido apenas pelo calor da fúria que queimava em suas veias.
No meio do caminho, Kaelen tomou uma faca tática de lâmina serrada do colete de um dos guardas desatentos no corredor.
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A porta do quarto principal estava encostada, e Rafe estava parado junto à janela, observando a chuva cair sobre as montanhas.
Rafe virou-se ao ouvir os passos, abrindo um sorriso sutil ao ver o ex-comandante de pé.
"Helena disse que você precisava descansar, Kaelen," disse Rafe, avançando dois passos em sua direção.
Kaelen não respondeu com palavras.
Com a velocidade violenta de um predador ferido, Kaelen projetou o corpo para a frente e avançou contra o peito de Rafe.
O impacto inesperado pegou o mafioso desprevenido, fazendo os dois caírem com violência sobre a grande cama de casal.
Kaelen montou sobre o quadril de Rafe, cravando o joelho no peito do Don e prendendo o braço esquerdo dele contra o colchão.
Com a mão direita, Kaelen cravou a ponta afiada da faca tática diretamente contra a garganta de Rafe, parando a milímetros da jugular.
"Kaelen, o que é isso?" questionou Rafe, os olhos dourados arregalando-se ligeiramente diante da fúria insana no rosto do rival.
"Cinco anos, Cruz!" vociferou Kaelen, a voz embargada por uma dor profunda que arranhava sua garganta.
"Do que você está falando?" perguntou Rafe, mantendo o corpo imóvel para não pressionar a lâmina.
"O Projeto Omega! Hector Cruz! O seu nome na porcaria do contrato de desenvolvimento!" gritou Kaelen, as lágrimas de raiva acumulando-se nas órbitas dos seus olhos azuis.
"Você sabia desde o início! Todo esse circo... a compra no porto... a droga de colar de titânio no meu pescoço!" continuou o ex-comandante, os braços tremendo pela intensidade do esforço e da emoção.
Rafe encarou o rosto de Kaelen, vendo a mágoa profunda disfarçada sob a máscara de fúria e assassinato.
"Kaelen, me escute," disse Rafe, a voz baixa e incrivelmente séria. "Eu não sabia que o meu pai usou esse veneno contra você."
"Não minta para mim!" rugiu Kaelen, aumentando a pressão da lâmina contra a pele de Rafe.
A ponta de aço perfurou a epiderme do pescoço do Don do Rio, e uma gota de sangue escuro e quente brotou da ferida, escorrendo devagar pelo pescoço de Rafe.
Rafe não piscou e nem tentou empurrar o prisioneiro para longe, aceitando o sangramento com uma calma perturbadora.
"Se o meu pai fez isso com você, ele pagou por isso quando eu tomei o sindicato dele," declarou Rafe, encarando Kaelen sem um pingo de medo nos olhos.
O que Kaelen não vira nas páginas do relatório era a aba oculta dos registros financeiros no arquivo do laboratório.
A assinatura do contrato original pertencia de fato ao velho Hector Cruz, mas os fluxos de capital mostravam claramente que Rafe havia bloqueado e congelado todo o orçamento do Projeto Omega assim que assumira o controle do sindicato, três anos atrás.
Rafe havia tentado destruir os vestígios daquela pesquisa abominável criada por seu pai, sem imaginar que Dmitry Voronov roubara as amostras restantes para usá-las anos mais tarde contra o próprio sobrinho.
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Mas para Kaelen, destruído por dentro e humilhado por sua nova biologia, qualquer explicação soava como uma traição imperdoável.
"Você me transformou nisso..." sussurrou Kaelen, a lâmina cravando mais um milímetro enquanto o sangue de Rafe sujava seus próprios dedos.
"Você me tirou tudo para poder me colocar em uma gaiola e brincar de ser meu dono!" continuou Kaelen, as lágrimas finalmente escorrendo por suas bochechas pálidas e encontrando o sangue no pescoço do rival.
Rafe ergueu a mão lentamente, sem pressa, tocando suavemente o pulso trêmulo de Kaelen que segurava o cabo da faca.
"Se você realmente acredita que eu planejei a sua destruição, general..." sussurrou Rafe, a voz aveludada e cheia de uma dor sombria.
Rafe aumentou a pressão de seus próprios dedos sobre a mão de Kaelen, empurrando a lâmina um pouco mais contra a sua própria garganta.
"Então empurre essa faca até o fim e termine o trabalho," concluiu Rafe, o olhar cor de âmbar cravado com uma intensidade sufocante nos olhos azuis de Kaelen.
Kaelen paralisou, sentindo a pulsação forte e ritmada da artéria de Rafe batendo diretamente contra o aço da lâmina.
A gota de sangue que escorria do pescoço de Rafe pingou no peito de Kaelen, manchando o tecido de sua camisa.
"Isso é o que você queria, não é?" arfou Kaelen, a voz falhando enquanto o conflito interno rasgava o resto de sua sanidade.
"Essa é a sua vingança, Kaelen," respondeu Rafe, mantendo o olhar firme no homem sobre seu peito. "Ou você me mata agora, ou aceita que o único culpado por essa tragédia está lá fora, usando o seu sobrenome."
O silêncio no quarto tornou-se sufocante, quebrado apenas pelo som da chuva batendo contra a janela e pela respiração desgovernada de Kaelen.
Kaelen olhou para o sangue escorrendo do pescoço de Rafe, depois para os olhos do homem que o salvara e o aprisionara ao mesmo tempo.
Em um gesto súbito e desesperado, Kaelen puxou a faca de volta e a arremessou longe, fazendo a lâmina de aço encravar-se com força na madeira do guarda-roupa.
Kaelen curvou o corpo para a frente, inclinando a cabeça até que sua testa tocasse o pescoço ensanguentado de Rafe, soltando uma respiração entrecortada e dolorosa.
Kaelen pressionou a lâmina fria contra a pele de Rafe mais uma vez com o próprio polegar ensanguentado, mantendo a gota de sangue presa entre eles.
"Isso foi o seu plano perfeito para me rebaixar a essa desgraça, Cruz?" sussurrou Kaelen, o tom de voz carregado de um desgosto amargo e venenoso enquanto o sangue do mafioso manchava seus lábios.
Rafe não respondeu com palavras, apenas envolveu os ombros do ex-comandante com seus braços fortes, segurando-o firme enquanto o vento da tempestade uivava do lado de fora da mansão.
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