"The Alpha's Demise" Chapter 6
Chapter 6: Pride and Ashes
O sangue de Rafe ainda manchava a pele do pescoço de Kaelen quando a decisão foi tomada na escuridão do quarto.
Para provar sua inocência e expor a verdade por trás do Projeto Omega, Rafe ordenou que o comboio se preparasse para uma incursão às montanhas isoladas de Petrópolis.
O destino era um bunker subterrâneo construído por Hector Cruz há mais de uma década, escondido sob as ruínas de um antigo sanatório abandonado.
No interior do veículo tático, o silêncio entre os dois homens era denso, impregnado por uma desconfiança dolorosa e por uma tensão sufocante.
"Se o que eu disse for mentira, o laboratório de Hector estará limpo e você poderá me executar lá dentro," declarou Rafe, checando os carregadores de sua fuzil de assalto.
"Eu não preciso da sua permissão para te matar, Cruz," respondeu Kaelen, ajustando o colete tático sobre a sua camisa de gola alta escura.
A chuva havia cessado quando os veículos alcançaram a entrada de concreto reforçado, meio oculta pela vegetação densa da montanha.
Rafe usou o código genético do patriarca para desbloquear as portas blindadas, revelando os corredores úmidos e iluminados apenas por luzes vermelhas de emergência.
O ar no interior do bunker cheirava a poeira, mofo e reagentes químicos estocados por anos.
No centro do complexo, a sala de servidores mantinha o terminal principal operando em modo de espera, exibindo as pastas criptografadas da Divisão de Pesquisas.
"Aqui estão os registros de transferência," disse Rafe, digitando os comandos no teclado metálico para abrir os arquivos de financiamento.
Kaelen aproximou-se da tela, acompanhando a linha do tempo que detalhava cada transação e cada ordem de teste biométrico.
A confirmação visual veio de forma devastadora: três anos atrás, no exato dia em que assumiu o comando do sindicato, Rafe cancelou o projeto e mandou incinerar os insumos.
Fora Dmitry Voronov quem subornara o antigo chefe de pesquisa de Hector para roubar as amostras restantes e a fórmula incompleta do antídoto.
Antes que Kaelen pudesse processar a verdade estampada nos monitores, os alarmes do bunker começaram a disparar em um tom agudo e ensurdecedor.
"Temos invasores na entrada principal!" gritou a voz de Mateo pelo rádio tático antes de ser cortada pelo ruído de uma explosão.
Mercenários de elite enviados por Dmitry avançaram pelos corredores, cercando a sala de servidores com poder de fogo pesado.
"Eles rastrearam o sinal do terminal assim que abrimos o arquivo!" avisou Rafe, sacando duas pistolas táticas e chutando a mesa de aço para criar cobertura.
"Não há tempo para conversas," disse Kaelen, tomando um fuzil de precisão do suporte de armas do laboratório e soltando a trava de segurança.
Toda a desconfiança e mágoa do passado foram sepultadas sob o instinto primário de sobrevivência e combate.
Em uma exibição aterrorizante de sincronia militar, o ex-comandante eslavo e o Don do Rio moveram-se como uma única máquina de matar.
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Kaelen cobria os ângulos superiores com tiros cirúrgicos, enquanto Rafe limpava os flancos com rajadas devastadoras de curto alcance.
A comunicação entre eles dispensava palavras, guiada apenas por olhares rápidos e sinais de mão lapidados por anos de rivalidade no campo de batalha.
Dois mercenários avançaram pela porta lateral, mas foram abatidos simultaneamente por um disparo duplo que perfurou o mesmo ponto de cobertura.
"Avançar para o terminal central!" ordenou Kaelen, cobrindo a recarga das armas de Rafe enquanto avançavam pelas carcaças dos inimigos.
Rafe inseriu o drive de memória no servidor para extrair a fórmula incompleta da toxina e a receita do antígeno.
O download do arquivo atingiu noventa por cento no monitor, mas o processo acionou os protocolos de segurança definitivos do bunker de Hector.
"Alerta de purga! Protocolo de destruição ativado!" anunciou a voz sintetizada do sistema, iniciando uma contagem regressiva de trinta segundos nos painéis de iluminação.
"Precisamos dessa fórmula!" gritou Rafe, mantendo as mãos na tela enquanto os dados eram transferidos para o dispositivo USB.
Na crista de iluminação do teto, a escotilha de ventilação abriu-se devagar, revelando o cano longo do fuzil de um atirador de elite oculto.
O mercenário alinhou a mira laser vermelha diretamente na nuca de Rafe, que continuava focado na extração dos arquivos do terminal.
O instinto de batalha de Kaelen percebeu o reflexo da lente na parede de vidro a uma fração de segundo do disparo.
Sem calcular o risco ou pensar na própria vida, Kaelen projetou o corpo para a frente, empurrando Rafe com toda a sua força para longe do console.
O disparo abafado do atirador cortou o ar do laboratório.
A bala de calibre pesado perfurou o ombro esquerdo de Kaelen, rasgando o tecido grosso de sua camisa de gola alta e espalhando um jato de sangue escuro sobre o painel de controle.
Rafe caiu no chão, arregalando os olhos dourados ao ver Kaelen girar sobre os calcanhares pelo impacto do projetil.
"Kaelen!" rugiu Rafe, a voz carregada de uma angústia e um desespero que ele jamais demonstrara antes.
Mesmo cambaleando e com a visão turva pela dor lancinante, Kaelen ergueu o fuzil com o braço direito e disparou uma rajada inteira para o teto.
O atirador despencou da escotilha de ventilação, caindo morto sobre o mármore quebrado do bunker.
O alarme do sistema chegou aos dez segundos finais, e pequenas explosões secundárias começaram a demolir as vigas de sustentação do teto.
Rafe arrancou o drive de memória do terminal e segurou Kaelen pela cintura, arrastando-o para longe do epicentro das fumaças químicas.
Eles atravessaram o túnel de emergência no exato instante em que o laboratório principal desabava sob toneladas de concreto e rocha.
A onda de choque arremessou os dois homens para fora do bunker, rolando pela encosta molhada até pararem no pátio externo.
A poeira cinzenta e os fragmentos de pedra cobriram o solo, enquanto a fumaça das explosões subia entre as árvores da montanha.
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Rafe ajoelhou-se imediatamente ao lado de Kaelen, rasgando a manga da camisa do rival para inspecionar a ferida de bala no ombro.
O sangue quente e vermelho-vivo banhava a pele pálida do ex-comandante, sujando a gola do casaco tático e os dedos de Rafe.
"Você ficou louco?!" vociferou Rafe, com as mãos trêmulas ao pressionar o tecido limpo contra a perfuração para estancar o sangramento.
"Por que você fez isso?! Você podia ter morrido por mim!" continuou Rafe, o olhar tomado por um pânico descontrolado e devastador.
Kaelen soltou um arfada dolorosa, cuspindo o pó de concreto que cobria seus lábios ressecados.
Apesar da dor dilacerante no ombro e do esgotamento físico brutal, o olhar azul-glacial de Kaelen não demonstrava arrependimento.
A verdade exposta nos arquivos e a confirmação de que Rafe não o traíra trouxeram uma clareza renovada ao peito do ex-Alpha.
Com a mão direita limpa, Kaelen enxugou o sangue que escorria de sua própria bochecha, sujando o rosto com poeira e cinzas.
Ele encarou o Don do Rio com uma altivez inabalável, a chama da rivalidade e do respeito mútuo queimando mais forte do que nunca entre eles.
Um sorriso provocante, frio e insanamente atraente desdobrou-se nos lábios de Kaelen no meio da fumaça do combate.
"Sua mira devia estar ruim hoje para você precisar que eu salvasse a sua vida," disse Kaelen, a voz rouca, mas carregada de uma provocação calculada.
"Ainda sabe como puxar um gatilho sem tremer, Cruz?" provocou Kaelen, desafiando o mafioso mesmo banhado em seu próprio sangue.
Rafe paralisou por um segundo, encarando o sorriso de Kaelen antes de soltar uma respiração profunda e rir com alívio e pura fascinação.
Rafe inclinou-se para a frente, segurando a nuca do ex-comandante com firmeza e encostando sua testa contra a de Kaelen na penumbra da montanha.
"Eu vou te ensinar a não voltar a tomar uma bala por mim, general," sussurrou Rafe, erguendo o parceiro nos braços e caminhando em direção ao carro enquanto o bunker queimava às suas costas.
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